10 de julho de 2009

One, two, three, four! CJ Ramone no Bolshoi Pub




Feliz é a palavra.
É assim que eu fico quando o rock me presenteia como ontem. Sensação de alegria, vontade de confraternizar, de pular num pé só, vontade de beber muita cerveja, de conversar até amanhecer com os amigos. Sobre os Ramones, é claro. Vontade de acordar a esposa às 3 da manhã e contar em detalhes como foi (e isso eu não fiquei só na vontade não, coitada). Feliz igual moleque em dia de festinha de aniversário. Igual quando o Atlético Goianiense foi campeão.
Arrombei meu orçamento. Fodi minha viagem de julho. E daí? Matei parte da minha frustração de não ter visto os Ramones ao vivo. Eu só tinha 16 anos e nenhuma possibilidade de ir pra Sampa em 1996, quando os novaiorquinos estiveram aqui pela última vez. Não por coincidência, ninguém da BCL representou os roqueiros da quebrada por lá, he he he! Éramos uma “crew” que não viajava muito, e você deve imaginar porquê. Acompanhamos tudo, pelos jornais e pela Rock Brigade.
Aviso a você que heroicamente chegou até essa linha do texto: isso não pretende ser uma resenha. Eu não sou um profissional do assunto, não estudei nada para isso. O que daqui para frente você lerá, se tiver paciência, é um relato pessoal de como o rock deixa um trintão feliz da vida.
Decidi ir à apresentação de CJ Ramone no Bolshoi em cima da hora, e por esse erro paguei $10 pratas a mais que muita gente. A dupla que compõe a equipe deste blog estava desfalcada de seu elemento feminino, então o rombo pelas entradas foi menor que o esperado. Eu comentarei sobre o óbvio: o Bolshoi é de longe a melhor casa que abre espaço para o rock em Goiânia, em diversos aspectos. O serviço pecou um pouco na agilidade, mas não bebi cerveja quente. O banheiro é um pouco diminuto, mas segurou a onda dentro do padrão da dignidade. Os preços da casa, velhos conhecidos de reclamões inveterados, como esse que digita aqui, são exorbitantes. Sabemos o motivo técnico para o negócio: selecionar público. E conseguem. Há pessoas em Goiânia que não se importam em pagar R$4,80 em uma cerveja long neck que custa R$2,00 no mundo real. Ou R$160 em uma garrafa de uísque nacional mediano, que em outras paragens não passa de 60 mangos. Mas se a intenção é reservar o espaço a uma parcela dos rockers pequizeiros, então eles pagam sorrindo. Não contavam com a audácia do populacho, que ontem compareceu em bom número. A ocasião pedia.
Um cardápio variado, de pratos quentes, saladas, comidinhas de boteco e amenidades. Ampla variedade de marcas das melhores cervejas européias e estadunidenses. Se você pertencer àqueles 10% situados entre a letra A e B do IBGE, é prato cheio pra entrar com a cara, ops!, rosto virado pra trás.
Uma falta que percebemos foi o reduzido estoque de Heineken 600ml. Pedimos 4, gostaríamos de ter pedido mais. Essa, oferecida a R$ 7, é a grande sacada para você, companheiro de choradeira classista, ilustre figurante no bolão C do IBGE. Após o garçom informar-nos que a garrafa de 600ml não estava mais disponível, apelamos para as long necks.
MAS E O SHOW? Ah, foi uma aula, não um show! Vamos deixar os lugares comuns pra outra hora, por favor. Vamos falar que os caras começaram com Blitzkrieg Bop! Puta que pariu... olha, eu não contei músicas, eu não anotei set list e caralho a quatro. Estava lá me divertindo, não trabalhando. Não sou jornalista. Minhas fotos ficaram uma bosta, porque não ajustei direito zoom, luz e emissão de flash. E eu te pergunto: e daí? Os caras tocaram I wanna be your boyfriend! VTNC! Judy is punk, I wanna be sedated, Beat on the brat, meu filho!!! Pouca coisa do Bad Chopper, se não me engano só dois sons. It’s a long way back to Germany, Strength to endure, Sheena is a punk rocker. Será que foi bom? Olha, lanço um desafio aos produtores de rock desta cidade: tentem fazer um show melhor que este, em 2009!
“Ah, mas o CJ nem foi tãããão Ramone assim”, ou “ele é o Ramone mais páia”, ou ainda variações destas frases perderam o sentido, se calaram, se renderam, na noite de ontem. Daniel Rey e Brant Bjork deram o suporte para que parte do sonho de muita gente se realizasse. Gabba, Gabba, Hey!
Simples e direto, mas com o amor ao ofício estampado na face quarentona e sorridente do ex-baixista dos Ramones. Carisma, simpatia, empolgação, gozo. Foi isso que vimos no palquinho do Bolshoi. Paciência com fãs mais abusados, que queriam colher autógrafos no meio do show. Experiência pra segurar a onda quando Daniel Rey atravessou um acorde num som: os músicos se entreolharam e riram do pequeno deslize. Técnica, garra, gosto, persistindo depois de tudo o que estes caras viveram. Eles estavam “lá”, minha gente! São personagens da história do rock! Sem nenhum tipo de estrelismo, o Bad Chopper endemonizou o pit.
Pequena pausa, de mais ou menos 3 minutos, e volta ao palco pra tocar mais uns 5 ou 6 sons. Saída rápida, sem frescuras nem terceira aparição no palco.
E eu lá, feliz. Sorrindo mesmo, igual bobo. Paguei a conta e mesmo depois, sorriso de orelha a orelha. Valeu a quebra do orçamento. Eu faria de novo, se pudesse.
Ninguém é de ferro. Depois disso tudo, podrão na 85 e Coca-Cola. E um relato extasiado à outra metade da equipe do blog, já em casa. Levemente embriagado e pensativo, imaginei: se fossem os Ramones, eu teria desencarnado.
CJ Ramone fez valer cada fração dos meus R$ 50. Daniel Rey e Brant Bjork idem. Quando voltarem (se voltarem) à Goiânia, farei de tudo para estar lá com o Bad Chopper. Quanto ao Bolshoi, voltarei quando a ocasião pedir. Há inúmeros lugares legais na cidade onde não preciso gastar tanto para me divertir. Sendo franco, não faz meu tipo lugar como aquele. Gosto muito de ser bem atendido, como fui ontem. Gosto mais ainda de sentar pra beber enquanto espero um show, como fiz por lá. A paisagem então, nem se fala: mulheres muito bonitas onde quer que se olhasse. Porém, sabemos onde tudo isso é ofertado a preços mais camaradas. E convenhamos, o populacho dá bandeira em pubs como o Bolshoi. Não gosto de ser detectado, sou discreto demais pra isso, nem gosto de ofender a retina régia pequizeira, com meu flagrante look “off”.
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Há poucas fotos no nosso flickr, por enquanto. Somente da câmera posicionada no mezanino. Havia uma câmera no pit a serviço do blog, de frente à banda: as fotos estão excelentes, mas ainda não chegaram às minhas mãos. Mate o gostinho com essas:
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